18 de agosto de 2010

Ele me bate em nome da fé!


Maridos, amai vossa mulher, 
como também Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela.
Efésios 5.25
A alguns meses atrás, eu conversei com um amigo que tentava ajudar uma irmã que congrega em sua igreja no interior da Bahia. A irmã vinha sendo vítima de violência doméstica por parte de seu cônjuge, “evangélico fervoroso” segundo relata. O referido “crente de fogo” agredia a irmã psicológica e fisicamente deixando marcas no corpo, e abatendo sua auto estima. O motivo da agressão, a irmã mudou de denominação. A referida irmã buscou orientação com o pastor, pois segundo ela, não pretendia separar porque Deus abomina o divorcio, porém, não se sentia mais segura ao lado do esposo. 
O QUE FAZER?
Caso como esse não é raro no meio evangélico, pois há uma verdadeira confusão generalizada sobre a soteriologia bíblica, e muitos ainda atribuem a salvação conquistada por Cristo na cruz, à permanência em determinada denominação cristão/evangélica.

A salvação não é monopólio de nenhuma denominação cristã. Não podemos ver alguma denominação de ideologia cristã como uma concessionária de veículos que detém o monopólio sobre sua marca. A Salvação conquistada por Cristo traspassa barreiras denominacionais, derruba paredes do preconceito humano e alcança pessoas de todos os povos língua tribos e nações.

Muitos líderes se preocupam apenas em manter ocupados os assentos da denominação que presidem, considerando desviados e indignos de salvação a todos os que discordem de algo relacionado à administração ou à liturgia adotada, e disseminam o terror e incentivam o preconceito contra os que abandonarem tal denominação, sem, contudo abandonar a genuína fé. 
      
Em se tratando de casos como o supracitado, pode ser resultado de uma cultura machista que tenta demonstrar a posição de superioridade do varão. Não tem relação direta com a fé, entretanto pode ser alimentada por uma interpretação machista e pré-histórica que incentiva a relação não por amor, mas pelo desejo de domínio e controle que os varões exercem dentro da relação.

 A violência domestica e de gênero se dá no contexto evangélico como reflexo da desigualdade patente que existe entre homens e mulheres em nossa cultura, há uma superioridade masculina em relação à feminina, e essa mesma relação injusta e hierárquica tem reflexo no cenário domestico, inclusive no meio evangélico onde a violência passa a ser, com base nesses parâmetros, e em  textos bíblicos mal interpretados, um recurso masculino para manter a mulher em sua posição de submissão e domínio.
Essa realidade pode ser constatada na maioria dos vídeos evangélicos sobre problemas do casal, pois sempre mostram a mulher em posição de domínio e timidez diante do seu senhor “o homem”.  Tais vídeos têm pontos de semelhança:
  • A mulher é traída e ora pedindo a Deus que mude o esposo e o ambiente de traição.
  • O esposo trata a mulher com grosseria e desrespeito e a mulher se mantêm passiva tentando agradá-lo por medo, ou receio de separação.
  • Tem cenas de esposo agredindo a mulher que, como boa cristã deve suportar e orar para que Deus traga solução.
  • A mulher não é a companheira que a Bíblia sugere, mas a empregada que atende aos desejos do hipócritas do varão.
  • A mulher sempre é que busca solução para o caso na vida piedosa e cheia de fé e devoção.
Tais vídeos me dão asco pela mensagem nada subliminar propagam. Em regra geral, acaba com o agressor entrando em uma igreja e a multidão eufórica dando gloria.  Não duvido que forças do mal influenciem tais pessoas. No entanto, a proteção divina pode também se dá por meio da justiça.
  1. Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que não proceda de Deus; e as autoridades que existem foram por ele instituídas.
  2. De modo que aquele que se opõe à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos condenação.
  3. Porque os magistrados não são para temor, quando se faz o bem, e sim quando se faz o mal. Queres tu não temer a autoridade? Faze o bem e terás louvor dela,
  4. visto que a autoridade é ministro de Deus para teu bem. Entretanto, se fizeres o mal, teme; porque não é sem motivo que ela traz a espada; pois é ministro de Deus, vingador, para castigar o que pratica o mal.
  5. É necessário que lhe estejais sujeitos, não somente por causa do temor da punição, mas também por dever de consciência. ROMANOS 13. 1- 5 
O gênero feminino não é um objeto a disposição do homem para realização de seus desejos hipócritas, como também não há nas Sagradas Escrituras, respaldo para que a mulher seja dominada e subjugada como se fosse propriedade do homem. A relação deve permanecer por amor, não por direito de posse ou por dependência.
Maridos, vós, igualmente, vivei a vida comum do lar, com discernimento; e, tendo consideração para com a vossa mulher como parte mais frágil, tratai-a com dignidade, porque sois, juntamente, herdeiros da mesma graça de vida, para que não se interrompam as vossas orações. 
1° Pedro 3.7
Muitas mulheres piedosas passam diariamente a fazer parte das estatísticas da Violência Domestica, e sofrem caladas em nome da fé e do bom testemunho cristão, por pura falta de preparo de diversos lideres eclesiástico.
PARE DE SOFRER!

Não há necessidade de pagamento! 

Campanhas de oração tem sua eficácia, mas dentro da palavra ORAÇÃO está a palavraAÇÃO que sugere a mudança de atitude passiva para atitude ativa.

Ligue 180 e denuncie ! 

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